Análise

Comunista não revolucionário?

Frente ao decair da república burguesa, só se tem uma opção aos proletários, construir os instrumentos da revolução, Socialismo ou Barbárie!

FolhasVermelhas · 11 de setembro de 2026

Comunista não revolucionário?FolhasVermelhas
correio vermelho

Receba os novos textos

Um e-mail a cada publicação. Cancele quando quiser.

Todos os sociais chauvinistas são, hoje, marxistas — Não riam!
Lenin em "Estado e a Revolução"

Lenin escrevia esse pequeno comentário em uma de suas principais obras, "Estado e a Revolução", onde já no primeiro capitulo trás importantes reflexões sobre a absorção pelas classes dominantes dos heróis dos oprimidos 

Depois da sua morte tenta-se transformá-los em ícones inofensivos, canonizá-los, por assim dizer, conceder ao seu nome uma certa glória para «consolar» as classes oprimidas e para as enganar, castrando o conteúdo da doutrina revolucionária, embotando o seu gume revolucionário, vulgarizando-o.

 Isso se torna cada vez mais presente hoje, no lento desmantelamento da nova república no Brasil, no processo de acirramento das lutas interimperialistas, a chegada da crise climática, no crescimento das forças da reação: Tudo indica que a tal tradição marxista, declarada morta ao fim da união soviética, não para de incomodar pelos seus acertos.

Logo, nessa crise, o ser "comunista" se torna interessante, ora, quem não é contra as calamidades que hoje vemos?

Mas seria muito bom se tudo fosse tão simples... mas ler é diferente de entender, e especialmente falar é diferente de praticar: "Sou comunista mas irei votar em Lula no primeiro turno", "Sou marxista-leninista mas a extrema-direita é o maior perigo", "Sou marxista, mas o imperialismo hoje é a maior contradição!"

Em resumo "Sou revolucionário, mas agora não é hora de sequer pensar em revolução, e os que falam nela estão colaborando com nossos inimigos!"

Aqui vão simples reflexões a serem feitas a esse respeito, especialmente a respaldo de uma que corrompe o movimento dos trabalhadores hoje:

"Sim, o Lula é ruim, mas não é hora de critica-lo ou a direita (ou extrema-direita aos mais reformistas) vence!"

Me aparenta que os que dizem isso parecem achar que um dia, por meio de alguma eleição, ou por outra magia, o perigo advindo da extrema-direita será resolvido, que um dia o golpismo desaparecerá finalmente do Brasil, e ai sim poderemos lutar por nossos direitos, que finalmente poderemos respirar e sonhar.

Mas questiono aos mesmos que gritam falsamente "Socialismo ou barbárie!", acham mesmo que o capitalismo um dia será democrático? ou leram os livros de Marx, Engels, Lenin de olhos fechados? Quando a Rosa falava que a Alemanha estava diante de duas decisões: Revolução da classe proletária ou barbárie burguesa, ela não gritava por mediações, a escolha estava posta, ou construímos os instrumentos de poder do proletariado e tomemos o poder ou a burguesia levará ao nosso fim.[1] 

Claro que isso não quer dizer que tomaremos as armas amanhã e cometeremos todos os tipos de aventurismo a fim de despertar as massas, porém não podemos a qualquer momento, e reafirmo: independente da situação, não podemos submeter a estratégia a situação tática!

A situação é tal que chamados comunistas de hoje cometeriam os mesmos erros dos comunistas da década de 60, ou o fariam pior! "Esquecem" que quem governou o Brasil por mais de 15 anos permitindo que a extrema-direita se desenvolvessem da forma de que se deu foi o próprio PT!

Isso tudo vem de uma versão extrema da tendência de Dimitrov da chamada Frente Ampla, um desvio descrito a fundo por Fernando Martins Rodrigues em "Anti-Dimitrov":

Quer dizer: Onde antes se tinha em vista um governo para acabar com o capitalismo, agora tratava-se de um governo para acabar com o fascismo. Por isso mesmo, seria “um organismo de colaboração da vanguarda revolucionária do proletariado com os outros partidos antifascistas, no interesse de todo o povo trabalhador, um governo de luta contra a reação e o fascismo”
Francisco Martins Rodrigues em Anti-Dimitrov
“Hoje, numa série de países capitalistas — disse Dimitrov, naquela que é a frase-chave do seu relatório — as massas trabalhadoras têm que escolher concretamente e para já, não entre a ditadura do proletariado e a democracia burguesa, mas entre a democracia burguesa e o fascismo.”
Dimitrov

Hoje, a história se repete de forma análoga, e até hoje tudo é repetição, quanto mais a democracia burguesa falha em se manter e dá tudo para a planta dos movimentos reacionários nascerem e crescerem, mais a culpa recai aos poucos que não se submetem ao oportunismo dos conciliadores, quanto mais a tática da frente ampla falha, mas se deve segui-la.

Mas a realidade é a seguinte: Frente ao decair da república burguesa, só se tem uma opção aos proletários, construir os instrumentos da revolução, Socialismo ou Barbárie! 

Notas

  1. ↩ E assim a história confirmou suas teses com o fim da Républica de Weimar
WhatsAppXTelegramFacebookE-mail
← Todos os textos